Hipocrisia II


Bullying

Os novos “velhos” crimes

Aquilo que a mídia gosta de pegar carona e divulgar com estardalhaço, são as novas roupagens que dão aos antigos crimes, como se eles nunca tivessem ocorrido antes. Procuram envolver emocionalmente as pessoas para que suas premissas sejam aceitas sem hesitar. Não deixam margem para outros pontos de vista, outra formas de análise e quem não concorda com um dos pontos apresentados, é taxado como conivente com o criminoso. Isto apenas me parece uma sutil forma de censura, disfarçado de “politicamente correto”.

Os crimes da moda, para a mídia, são os casos de pedofilia, racismo, homofobia e o bullying (outra palavrinha estrangeira que não temos vergonha de emprestar) que abarrotam os jornais, a Tv e a internet. O que espanta é a falta de maiores análises, o contexto histórico e social é ignorado.

O recente caso do livro de Monteiro Lobato, acusado de racismo é um bom exemplo. Na época em que foi escrito, havia sido recente o fim do sistema de escravatura, com certeza, os termos utilizados nesse período, independente de como ele  retratava a famosa cozinheira do Sítio do Pica-pau Amarelo, poderia ser hoje, vista como hostil, mas que no momento em que foi criada a narrativa, seria um termo perfeitamente normal e usual.

O mais perigoso disso é criar um precedente para outras obras, tanto de literatura como de artes em geral. Imaginem se as feministas resolvessem proibir obras de arte que retratam mulheres como submissas ou esteticamente diferente dos padrões atuais, o que fariam com a Vénus de Milo e outras do período renascentista.

Os casos de racismo, como o do humorista da Rede Globo. Confesso que ao ler a respeito, me senti mais indignado pelo crime humano do que pelo racismo. Como alguém em uma enchente procura um objeto qualquer e acidentalmente encontra a filha. Não deveria ser o inverso e procurar em primeiro lugar, os filhos. Isso mais parece, um caso de abandono de incapaz e com atenuantes. Um crime não apaga o outro, mas o ser humano deveria vir em primeiro lugar.

O que preocupa mesmo, são os casos de pedofilia. Segundo estatísticas, aumenta o número de jovens, menores de 14 anos que vivem conjugalmente com homens mais velhos, de forma consciente e com a conivência da família, ou seja, existe um consentimento para uma relação tida como ilícita. Aqui cabe, questões históricas e sociais, antigamente, meninas de 15 e 16 anos se casavam normalmente. Os seus país encorajavam tais situações pois acreditavam que se a mulher não trabalhava como homem, se casando, ela traria algum benefício para a família. Em muitos lugares desse país, as pessoas ainda pensam assim e os jovens acreditam que faz parte dos direitos deles, a liberdade sexual. A linha entre o consentido e o ilícito é muito fina. O ideal seria ter maiores informações é para as famílias para que possam distinguir entre uma coisa e outra.

Para piorar a situação, aumenta o número de jovens, menores de 14 anos, com AIDs e doenças sexualmente transmissíveis, que estão diretamente ligados aos casos de pedofilia. Apesar das campanhas de esclarecimento, os jovens não acreditam nos riscos de transar sem camisinha. Os jovens aprendem, hoje, muito cedo, sobre liberdades mas não sobre deveres, riscos e responsabilidades. A reação violenta deles a qualquer “não” é mais do que prova disso.

Outra questão que aparece na mídia, como se estivesse fora de foco, é a homofobia. A preocupação com esses casos mais parece “revanchismo” do que justiça. Um pronunciamento errado e alguém acaba sendo processado ou perde o cargo. O sério nesses acontecimentos é que verdadeiros crimes ficam em segundo plano e acabam não tendo uma punição adequada.

Existe uma diferença entre “aceitar” uma orientação sexual e “gostar” dela, que pode ser até sutil,como os casos de fetiches, sado-masoquismo, zoofilia e outros. Posso criticar uma orientação sexual diferente da minha e pelo contrário, tenho alguma obrigação em tolerar críticas a minha orientação sexual. “Questão para refletir.”

O último tipo é o bullying, termo inglês usado pelos “tupiniquins” que desconhecem os sinônimos em língua portuguesa como perseguição, intimidação, implicância e violência. O uso do termo sugere que todos os sinônimos ocorram simultaneamente mesmo que nem sempre seja desse jeito.

Os adultos se limitam a verem vídeos pela internet dos casos que explodiram em violência, mas esses casos vão muito mais longe do que isso. Os jovens agredidos e agressores se vangloriam para os colegas de discórdias que têm com outros colegas e das disputas de poder dentro da sala de aula ou no grupo a que pertencem. Um novato será sempre mal recebido nesses casos. Outros ainda, confessam terem encorajamento dentro da própria família para que o jovem se imponha, mesmo que seja pela violência.

Estas são situações que pedem muito mais que medidas corretivas, é preciso se educar os pais a serem pais. Nada de deixar a educação por conta da televisão e seus exemplos esdrúxulos, é preciso orientar. Muitos querem aguardar para que algo seja feito, mas “é de pequeno que se torce o pepino”, como diz o ditado. Para se ter amor pela cultura, as tradições, religião e amor ao próximo, só mesmo começando de bem cedo, ou serão mais casos de “bullying” em vídeos pela internet.

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