Aquilo que você conhece mas nunca viu

indiokyotoA cultura pode ser induzida

Quantos programas de televisão nós assistimos que demonstram coisas que jamais vivemos ou presenciamos na vida real, algumas chegam a ser inverossímeis. Quem não se lembra do famoso índio de madeira do desenho do Pica-pau ou das piadas que aparecem em séries e filmes, quando uma pessoa fala demais e os outros perguntam se ele esta “disponível para fazer casamentos e bar-mitzvahs!!!” Agora, quem sabe o que é um bar-mitzvah???

Existem cidades onde não há hidrantes e muitas pessoas acreditam ser um mito aquele dispositivo que aparece em diversos filmes e desenhos.

A criação de mitos

Um dos maiores responsáveis pela criação de mitos no século XX foi sem dúvida a indústria cinematográfica norte-americana, desde que iniciou a campanha do “american way of life”, foi levado ao mundo todo clichés, motes, padrões e muitos, muitos mitos que nem sequer possuem, pelo menos, uma base real.

Quantas pessoas acreditam que os pais americanos ficam jogando beisebol com os filhos pequenos no quintal da casa, ao conversar com diversas americanos, a resposta sempre foi a mesma, é mito. O cliché do “cowboy” que se veste de chapéu, colete, lenço no pescoço e duas armas na cintura. Os historiadores são unânimes em dizer que o “velho oeste”, nem foi o “velho oeste“, o período em questão foi muito mais curto do que o mostrado nos filmes e sobreviveu graças a homens como o velho xerife Wyatt Earp que  participou das filmagens da sua própria vida.

Outro mito criado pelo Cinema é o famoso pão de forma com pasta de amendoim e geleia, que muitos tentam imitar pra verem se é gostoso ou não.

Quantas pessoas não ficaram com idéias erradas a respeito do Brasil e seus costumes com os filmes da baiana estilizada, Carmem Miranda, que nem brasileira era, ele era portuguesa. Outra obra que ficou famosa foi a de Disney, “Você já foi a Bahia”, “The Three Cablleros”, no original, onde Pato Donald encontra Zé Carioca e Panchito, mostrando uma visão totalmente “americanizada” da América Latina e de seus povos.

Desde Platão e o famoso “Mito da Caverna”, o pensamento humano foi entendido como sendo passível de ser “conduzido”, bastando dar lhes as imagens necessárias. Por isso, devemos desconfiar das idéias pré-concebidas, das receitas prontas e daquilo que é aceito pela maioria como “verdade absoluta”, que recebem sem indagar.

“O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma.” Albert Einstein

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Pela Liberdade de pensamento!!!

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

Voltaire

Quando o famoso filósofo francês disse tais palavras nem se sonhava com a Internet e com todos os possíveis meios de comunicação que foram criados após a sua época. Mas realmente, o que ele e ninguém pensava ser possível não é isso, com a facilidade de se comunicar o ser humano não apenas expôs o que pensa, mas expôs o pior de si mesmo.

A Internet é terreno fértil para se plantar mágoas, dissidências, ódio e preconceitos, isso mesmo, preconceitos. A preguiça de pensar atrelada a ferramentas de cópia (Ctrl+C e Ctrl+v) tornam ideias subversivas algo tão veloz e devastador quanto um rastilho de pólvora. Textos que sutilmente maquiam conceitos são amplamente aceitos, a quantidade de opiniões de apoio são incríveis. Poucos tem a coragem e a bagagem de discernimento para discordar e na maioria das vezes que o fazem, são barrados pelo “moderador”.

Para um exemplo, vi um texto que mudava o conceito de “fascista” e o confundia com conceitos de “preconceito”, o fascismo foi uma forma de nacionalismo exacerbado que promovia o “xenofobismo”, ódio aos estrangeiros com uma ditadura esmagadora que funcionava por mecanismos de perseguição e censura. Nem todo tipo de “ódio” é fascismo.

A mediocridade reina pela Internet, quando se diz que algo é ruim ou mal, existe uma multidão de seguidores a confirmar o fato. Mas os bons conceitos não são de igual maneira disseminados, um bom comentário é sempre visto com ressalvas e desconfiança.

Encontra-se oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano.

Voltaire

O chamado politicamente correto veio para padronizar isso, se não concordo com algo, todo o resto que esteja próximo será julgado por “osmose” como incorreto também. Uma forma de se eliminar etapas e se chegar a conclusões fáceis e mesquinhas, sem muitas despesas.

Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.

Léon Tolstoi

O medo de sermos incompreendidos ou tosados pelos outros nos torna tacanhos e “vaquinhas” de presépio que apenas dizem sim. Não ser compreendido não é crime, não ser aceito, também não. Nem mesmo Jesus, quando aqui esteve, foi aceito por todos e foi crucificado por isso. O mundo “virtual”, se chama virtual por não ser real, quem acha que isso é a sua vida, precisa urgente de análise.

Não escrevo para que os outros me aceitem, escrevo o que penso e oxalá se alguém concordar. Se não, prossigo com a minha vida. Por que esta ou aquela pessoa disse uma frase, pode ser interessante, de acordo com quanto esta pessoa foi importante na evolução humana, mas tomar tais palavras como verdades absolutas é o primeiro erro.

Um dos elementos mais citados hoje em dia, pela Internet é o Papa Leão XIII, e sua condenação a Maçonaria, como se fosse o único inimigo do catolicismo. A condenação foi feita primeiro pelo Papa Clemente XII na  In Eminenti Apostolatus Specula e continua a ser ratificada pelos seus sucessores, o próprio Cardeal Joseph Ratzinger, quando prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em 26 de Novembro de 1983 afirma que “permanece imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”

Resta nos aguardar um novo pronunciamento de Joseph Ratzinger, agora como Bento XVI, pois o mesmo já caiu em contradição quanto a Missa em Latim, a que denominou agora, Extraordinária, através de sua carta, Motu Proprio Summorum Pontificum, que já causou grandes mudanças e a possibilidade do retorno da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que se afastou devido aos efeitos da modernidade do Concílio Vaticano II, cujo teólogo Joseph Ratzinger participou de forma ativa.

O ponto é, e as outras condenações do Papa Leão XIII vão ser esquecidas, apenas a Maçonaria é lembrada. E quanto a Igreja Anglicana, citada na Bula Apostolicae Curae de 1896, como inválida, e as críticas as falhas dos sistemas econômicos, como o capitalismo e o comunismo. E a defesa do matrimônio e as críticas ao divórcio, como também as críticas ao chamado Americanismo. 

Poder aceitar ou rejeitar qualquer ideia é uma questão moral de cada um, a cada apresentação dada, existem posições  a favor e contra até mesmo dentro da própria Igreja. O importante é apresentar argumentos válidos e não ficar “maquiando” antigos textos para que possam induzir pessoas ao erro. Mostrar um ponto de forma dramática e com “condenações” para quem não o aceite não são argumentos, são artifícios de uma mente pequena.

O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.

Santo Agostinho

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