Um pouco de São Paulo

Da garoa ao concreto

Esta cidade pode ser vista de vários ângulos, de muitas formas e em vários horários que uma coisa será sempre igual, ela surpreende. Surpreende ver de manhã, o sol entre arranha-céus como um intruso a nos tocar o rosto, de uma forma quente e singela. Nos surpreende pelos seus tipos estranhos, em cada esquina um manequim diferente que salta aos nossos olhos. Um andarilho que grita, um personagem estranho, vestido como um apóstolo em dia de hallowen.

Gosto de decorar a paisagem por onde o ônibus passa, como se cada prédio ou casa fosse uma palavra nova a ser descoberta. Cada detalhe, curva, cores e texturas que formam textos diferentes em cada trajeto. Como se subir uma rua lhe contasse uma história diferente do que ao descer a mesma.

Vejo os monumentos, que muitas vezes jazem em lugares errados, como estátuas que foram esquecidas em alguma praça, mas que ali nada representam. A sucessão de eras políticas que somente advogam ao favor de uma ideologia, a de quem vence cria essas distrações disformes, ao mexer com a paisagem.

Pessoas, pessoas, pessoas, aquilo que mais se vê aqui são pessoas, de todos os tamanhos, tipos e cores, como se as calçadas fossem arco-iris paralelos as ruas. Se movem o tempo todo e a imagem que olhamos, muda em um piscar de olhos, como se fosse feita de areia. A areia da praia que o mar carrega e muda a cada maré.

Que sorte um poeta poder viver num lugar desses. Um lugar, onde o comum não é nada comum, uma sucessão de nomes estranhos, que se não o forrem, algum especialista o tornará estranho. Como a estação de metrô que chamam de Pedro II. Quem destituiu o rei, cadê o seu Dom ou querem reescrever a história.

Não precisam temer o passado, ele não é um fantasma a lhes tirar o sono, é apenas a sua origem que a cada pedra erguida, a cada monumento erigido constrói uma cidade que não para, não dorme e sempre nos alegra!!!

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