Ironias da vida: Justiça

A lei dos homens confunde o certo pelo justo

Quem não se depara com situações que se analizadas friamente aparecem ser incrivelmente hilárias, senão tristes, quem não vê no dia a dia o quanto de pessoas que sofrem as maiores opressões, quem tanto trabalha e não recebe a merecida paga, quem tanto se dá mas pouco recebe. Pessoas em situações semelhantes, onde o vizinho é ressarcido e ele não. Alguns são beneficiados e outros recebem migalhas. Quando algo parece certo mas não é justo, como colocar a prova essas situações?

Belas palavras, péssimas leis

No Brasil, os deputados e senadores deveriam se candidatar a carreira de poetas, são ótimos com as palavras mas péssimos legisladores. Pode até parecer chacota, mas existe sempre algum motivo, leis magnífica com excelentes promessas e que não servem para nada no momento em que entram em prática, não é incomum. Basta lembrar da “lei seca” e do bafômetro que entrou em vigor e caiu devido a uma “vigarice” dos advogados: “ninguém pode criar prova contra si mesmo”. Interessante, então as confissões de crimes são “objetos ilegais”?

Insalubre herança

A colonização do Brasil e a vinda da família real  portuguesa deram ao Brasil um singular lugar na história do mundo, fomentou a revolução industrial inglesa e serviu de cabide para  um governo corrupto, aventureiros transvestidos de empresários e jogadas comerciais que mais parecem feitas em um “cassino”. Quem hoje acompanha os jornais e as críticas dos gastos do congresso nacional devem se lembrar daquilo que foi a formação de nosso governo no período do reinado de D. João VI no Brasil de outrora. O primeiro Banco do Brasil que faliu ao tentar bancar a coroa portuguesa, avessa ao trabalho mas muito ávida por gastos e opulência.

Os homens não temem a morte, apenas a temem encontrar em sua agenda!

O homem moderno não teme aquilo que vê, teme aquilo que imagina. Somos treinados a sermos “psicopatas” para que não tenhamos a exata proporção entre aquilo que existe e aquilo que é real. Esse é um dos pontos de partida do movimento comunista. A propaganda das ameaças em forma tão desproporcional que torna os indivíduos em pessoas paranóicas e psicopatas. Para entender isso, basta ver a forma como são apresentados diversos fatos históricos, de forma individualizada e extremamente agressiva para um lado e conivente para o outro.

Pessoas que morrem de pena de ver um cão abandonado mas não enxergam os mendigos na rua. Situações como a invasão de um centro de pesquisas para resgatar cães, cujo resultado poderia até ser benéfico se não fosse a quantidade de leis quebradas, assim como as depredações físicas que causaram.

Parece ser exagerada essa coluna, mas exagerado mesmo são as postagens que vemos diariamente na internet. A palavra “selfie” que indica tirar uma foto de si mesmo é eleita a palavra do ano, uma indicação direta do mais puro “narcisismo” e  “hedonismo” (unir a própria imagem ao prazer de se mostrar), ou aquilo que deveria ter como destino “uma lixeira” acaba sendo exaustivamente compartilhado e acessado. Fotos com erros, imagens com penetras e imagens com duplo sentido conseguem muito mais do que “15 minutos de fama” pelas redes sociais. Antigamente quando algum erro acontecia, bastava tirar uma nova foto e ignorar o erro, contudo hoje, isso dá mais sucesso do que as fotos perfeitas, luz, sombreamento e detalhes de uma bela imagem não são mais aquilo que se preocupa. Isso só perde para as “escorregadas” acidentais ou propositais de algumas famosas em mostrar algumas partes do corpo e ficam mais em evidência do  que se tivessem feito um contrato milionário com a Playboy para mostrar o corpo inteiro.

Saco de gatos ou conclusão

A forma com que a mídia está trabalhando os mais diversos assuntos chega a assustar, pois como já alertava Nietzsche, o leitor de matérias “medíocres” acaba se contaminando com essas formulas prontas de “raciocíonio” e de linguística e começa a utilizar no seu cotidiano em um círculo vicioso, aquilo que ele fala, ele  lê, aquilo que ouve (de si mesmo) e lê confirmando, ele acredita. Não questiona os  fatos e a sua linguagem se deteriora. A primeira sugestão para fugir desse sistema é a mesma que recebi em minha infância, leia e leia bastante. Nossa atividade cognitiva (pensar) é fruto de muito conhecimento e das interações dentre essas idéias, quem procura conhecimento de forma fácil, como em resumos e resenhas, não consegue fazer mais do que imitar algum pensador.

Além de aprender a calcular, na matemática existe a “verificação da formula”, ou seja, nenhuma resposta pode ser aceito como verdadeira até que seja provado o seu valor. Muitas afirmações que se lê hoje em dia, desmoronam na frente das mínimas conferências. Pode ser por alguma analogia (comparação indireta), ou pelo conceito utilizado ou mesmo pela etimologia (origem da palavra). O certo é, nenhuma afirmação pode ser feita com apenas uma premissa e aquilo que vale para um indivíduo, vale para todos.

Para aqueles que ficaram sem resposta, vou dar um exemplo: existem pessoas ávidas em afirmar que liberdade religiosa é acreditar naquilo que quiserem e pode ser qualquer coisa. Correto?

Totalmente errado e vamos por a prova. Existe um homem chamado Charles Manson que se encontra atualmente na prisão e está com prisão perpétua, ele e seu grupo cometeram vários assassinatos com requintes de tortura, entre eles o da atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski que na época estava grávida de nove meses. Seu grupo agiu de acordo com as crenças de Manson e nada mais do que isso. Se a afirmação acima estivesse certa, Charles Manson teria de ser libertado e qualquer pessoa com as mesmas crenças que ele não poderiam ser presas. O que vale para um indivíduo, vale para todos, pois todos são iguais perante a lei. . Podem verificar a história desse homem no  Wikipédia. Por isso, não podemos permitir que liberdade religiosa seja uma anarquia e que existem pré-requisitos para que uma religião seja aceita como tal.

“Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito”  Aristóteles

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Nós vivemos em Matrix?

Uma analogia com a nossa realidade!

Apesar das críticas dos filosofos, de que o filme Matrix divesse trazido a pauta de assuntos cotidianos temas próprios de livros e ensaios filosóficos e que os mesmo acham que o debate de tais assuntos sejam próprios de uma cátedra! Contudo é relevante perceber o quanto é inspirador essas novas visões propostas em tal produção.  Cada cena apresentada poderia ser capaz de ser o assunto de um livro inteiro, contudo, gostariamos apenas de analisar a cena de introdução de Neo ao mundo de Matrix.

Nessa cena, o ator Laurence Fishburne (Morpheus) demonstra a keanu Reaves (Neo) o que seria o mundo virtual, como acessá-lo através da conexão neuro-computadorizada e quais são os resultados dessa interação. Os atores iniciam em uma sala branca com uma poltrona velha, as roupas e a sua imagem pessoal está modificada, como o detalhe do cabelo. O programa chamado de Construtor é a ferramenta utilizada para adquirir “ferramentas virtuais” como armas, equipamentos e alterar o modo com que entra em Matrix, como se assumisse um determinado papel. A explicação de Morpheus é de que as pessoas vivem no mundo virtual mas na verdade dormem no mundo real, a sua profundidade de interação e aceitação desse mundo “falso” produz no indivíduo uma necessidade natural de proteger esse mundo e isso os torna complacentes com os “sentinelas”.

Os Sentinelas, programas sensitivos, que fazem o papel de guardas no mundo virtual, eles vigiam todas as portas e possuem todas as chaves. Na verdade são apenas softwares, como os nossos antivirus, mas com aparência de guarda-costas no mundo virtual. Na verdade o que intriga nesse mundo virtual é justamente a escolha da época e da paisagem. A época atual (final do Sec. XX) e o uso do cenário em grandes cidades é bastante interessante. Oportunamente explicados como sendo devido ao momento em que estamos tão encantados com nós mesmos. Uma geração de pessoas encantadas com si mesmas e dentro do cenário ideal, as metrópoles criadas pela própria mente humana.

Não parece a primeira vista, mas Matrix é uma irônia, uma crítica acida e contundente ao nosso estilo de vida. Tão cheios de nós mesmos e tão vazios de qualquer conteúdo, uma geração de narcisistas que não se aguentam de tanto se auto retratarem que até uma palavra elegem para isso “selfie”. Basta observar nos trens do metrô, nos ônibus, nos pontos e nas esquinas. Pessoas adormecidas em usar uma tecnologia que os cativa e adestra, um olhar vazio e mãos ocupadas. Tantas pessoas agrupadas nesses locais contudo sem qualquer interação, como dizia um velho pensador, “com  diversas pessoas, mas uma sala de retratos“.

O que impressiona é a defesa como agimos para com esse sistema, quem já trabalhou em algum serviço de suporte ou assistência técnica e não ouviu frases incríveis como: sem celular me sinto nu ou não posso viver sem ele. Não importa qual seja o aparelho, ele já faz parte da vida e não se consegue se separar o ser humano da máquina.

Qual o resultado disso, estudiosos da Coreia do Sul e da Alemanha apontam para a “demência digital”, “O uso excessivo de smartphones e jogos digitais dificulta o desenvolvimento equilibrado do cérebro”, explicou ao jornal Joong Ang Daily, de Seul, o médico Byun Gi-won, do Centro para o Equilíbrio Cerebral. Da mesma forma o neurocientista alemão Manfred Spitzer publicou em 2012 o livro Digital Dementia que seria um alerta a pedagogos e pais para os perigos da excessiva exposição de crianças ao uso da tecnologia digital e que se deveriam dar alternativas fora desse universo. Isso mostra Luis Dufaur em seu post no site Mídia Sem Máscara que comenta quais os possíveis danos causados para as mentes em formação e como estes são irreversíveis.

Um mundo sem Deus, em que o homem é capaz de mudar seu próprio destino como o “escolhido” Neo, um messias para tecnólogos e internautas, seres capazes de grandes feitos mas incapazes de sairem desse mundo, inertes e adormecidos. A tecnologia fornece tudo, tudo que seja feito por um “copiar” e um “colar”, um mundo de cópias. Como diz no filme: “um mundo onde seres humanos não nascem mais, são cultivados“. Esta é a utopia da tecnologia, sermos totalmente independentes de nossas origens, da natureza e de Deus.

Não existe mais cultura, como alertava Nietzsche, o autor escreve o que vê na vida, o cotidiano e dá ao leitor uma imagem daquilo que o leitor também vê na sua vida e lhe diz “isso é cultura, essa é a língua e isso é a filosofia…”. O leitor se encanta e fica extasiado consigo mesmo e afirma em alto e bom tom, sou um filósofo, sou um linguista, eu entendo o mundo. Não percebe o engodo, a farsa e a fantasia. Olhem a sua volta, tantas palavras e conceitos novos, uma chuva de neologismos. Sofismas tão fáceis de entender, tão acessíveis tanto quanto a internet. Basta um plugar que o mundo inteiro estará a suas disposição, mas que mundo é esse?

A globalização acabou com a cultura nacional, os novos meios de comunicação acabam com a língua e o modernismo com a filosofia. O resultado de tudo isso são valores invertidos e buscas pelo sobrenatural, os velhos valores não são mais aceitos pois são dificeis, eles incomodam e constragem. O status quo não pode ser perturbado, somos os guardas desse sistema, da mesma forma que os softwares sensitivos de Matrix e não podemos aceitar nada que mude isso.

A mística não é mais explicada pela religião, os novos “crentes” idolatram a tecnologia, o modernismo e o comodismo e precisam de novos “deuses”, por isso a busca em terrenos inexplorados. Os velhos mitos são enterrados e as fantasias tomam seu lugar e quando alguém ousa falar o contrário é execrado em praça pública como um reacionário. Os estudos preparam os jovens para o que? São meros analfabetos funcionais, fazem de tudo, mas não entendem nada daquilo que fazem. São cidadãos livres presos em um sistema de respostas prontas. Desdenham o passado e aqueles que ainda o representam ( os velhos) e acreditam, como em Matrix que o mundo é apenas isso, aquilo que a mão do homem criou e não percebem que são as máquinas que comandam esse teatro de marionetes.

Se a coesão da nossa sociedade era mantida outrora pelo imaginário de progresso, ela o é hoje pelo imaginário da catástrofe” Jean Baudrillard

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