O espelho mágico

Esse é ao contrário do espelho da bruxa

Na história da Branca de Neve, a bruxa perguntava: – Espelho, espelho meu! Existe alguém mais bela do que eu?

Ela queria verificar a existência de alguma pessoa com maiores qualidades do que ela, nesse caso seria pelo padrão estético. Seu desejo e a sua ambição seriam o de possuir maiores dons do que os outros, um caso clássico de egocentrismo e vaidade misturados. O que notamos na imprensa hoje em dia é exatamente o contrário, a pergunta mudou: – Espelho, espelho meu! Existe alguém pior do que eu?

As colunas se tornaram um verdadeiro desfile de terror, quais os defeitos e vícios de seus adversários ou supostos inimigos são demonstrados. Quais erros cometeram e quais intenções são as mais maléficas possíveis. Quando citam alguma qualidade, ela teria algum objetivo nefasto. As analogias são as mais estarrecedoras possíveis e não poupam nenhum período negro da história.

Reductio ad Hitlerum

Esta é a denominação de um vício na dialética, uma falácia muito utilizada, poderiamos dizer que é até um “golpe baixo” que visa acertar alguém sem a possibilidade de um argumento de retorno. Segundo o Wikipédia teria a seguinte explicação:

“O argumento carrega um forte peso emocional e retórico, uma vez que em muitas culturas qualquer relação com Hitler ou nazistas é automaticamente condenada. A tática é muitas vezes utilizada para desqualificar argumentos ou mesmo utilizada quando não há mais argumentos, e tende a produzir efeitos mais agressivos do que racionais nas respostas, desviando o foco do oponente.2 Um subtipo dessa falácia é a comparação das intenções de um oponente com o Holocausto.2 Outras variantes incluem comparações com Gestapo (a polícia secreta nazista), fascismo, totalitarismo1 e até mais vagamente com o terrorismo.3

Um exemplo disso é a crise da Crimeia, onde a guerra de informações chegaram com a falta de argumentação à níveis considerados covardes. A secretária de Estado norte-americano Hillary Clinton comparou o presidente russo Vladimir Putin à Adolft Hitler, por ter concedido facilidades para cidadãos da Crimeia obterem passaportes russos. Fato semelhante ocorreu quando Hitler concedeu passaporte alemão para os descendentes de alemães que viviam na Tchekoslováquia e na Romênia antes da II Grande Guerra. O argumento usado por Hitler na época era de que aqueles que tinham ascendência alemã não estavam sendo bem tratados pelo Governo e que ele precisava “proteger o seu povo”.

O presidente russo diz que a troca de governo na Ucrânia foi um golpe e que os cidadãos da Crimeia não o apoiaram e foram ameaçados por isso, em seu discurso, ele diz: ” Os que se opuseram ao golpe foram imediatamente ameaçados de serem reprimidos. Claro que os primeiros da fila foram os crimeanos – a Crimeia que fala russo. Por isso, os moradores da Crimeia e de Sevastopol voltaram-se para a Rússia, pedindo ajuda para defenderem seus direitos e a própria vida, e para impedir que continuassem os eventos que prosseguem, de fato, até hoje, em Kiev, Donetsk, Carcóvia e outras cidades ucranianas.

Naquilo que podemos chamar de um “contra-golpe”, no mesmo discurso ele responde aos ocidentais com a mesma retórica da Sra. Clinton, ” Aquele golpe foi executado por nacionalistas, neonazistas, russófobos e antissemitas. E continuam a determinar o tom na Ucrânia ainda hoje.” E em outro trecho ele foi mais incisivo ao afirmar que, “Mas não há como não ver as intenções bem claras desses herdeiros ideológicos de Bandera, que foi cúmplice de Hitler na 2ª Guerra Mundial.

Quem ele cita acima é Steban Bandera, líder nacionalista Ucraniano que apesar de ter sido preso pelos alemães durante a II Grande Guerra foi morto por ordem do governo russo. Ordem esta que partiu de Nikita Khrushchev.

Ou seja, apesar da classificação das ideologias dizer que o nacional-socialismo (nazismo) estar junto com o comunismo (extrema esquerda) muitos ainda tentam o colocar na extrema-direita. Como na famosa e repetida frase de Lênin, “xingue-os daquilo que você é, acuse-os daquilo que você faz”. Na história do partido nazista existem dois pontos de disputa, internamente, Hitler ao se contrapor aos irmãos Strasser que eram de uma linha mais esquerdista e externamente com o próprio partido comunista alemão. Esses conflitos de poder revelam posicionamentos políticos diferentes de cada personagem, contudo, o partido, em linhas gerais, não deixou de ser socialista ou se tornou de extrema direita como é hoje definido.

Existem diversas outras comparações como essa que estão sendo disseminadas pela Internet, fica dificil para um leitor leigo encontrar algum sentido ou não ser “levado pela corrente” e acabar reproduzindo essas mesmas palavras. A primeira regra é “desconfie de apelos aos sentimentos” ou afirmações absolutas, pois nem sempre possuem um embasamento que seja verdadeiro ou uma boa intenção.

“Torne a mentira grande, simplifique-a, continue afirmando-a, e eventualmente todos acreditarão nela” Adolf Hitler

N.A. Desculpem pela escolha da frase, mas fica irônico o próprio personagem descrever o destino de si mesmo e de sua obra.

Fonte: Pravda.ru

Anúncios

A guerra das línguas

Para que lutar pelo seu patrimônio?

Há quem ache que a sua língua materna não vale nada, de que falar é apenas um ato de comunicação e que como os modos de comunicação, pode ser cambiável de acordo com a situação, em vez de TV use o celular ou a Internet. Contudo essas pessoas ignoram a história e sobretudo a geopolítica. Ignoram que em muitos lugares do mundo existem guerras sendo travadas devido ao direito de povos de possuirem e manterem a sua língua materna.

Hoje, o nosso país é um lugar tranquilo em relação ao nosso idioma, por isso abre caminho para teoria esdrúxulas (estranhas mesmo!) que desejam fazer alterações de normas e julgam que devemos nos alinhar com a forma falada em Portugal. Ou seja, não existe o menor nexo nessas teorias, querem tirar a linha principal da língua e querem ao mesmo tempo, tornar compatíveis formas faladas totalmente distintas. Não existe a menor coerência nisso.

Para os que acreditam que nesse país somente exista paz e amor, vou contar uma breve história: vim de uma região marcada pelas colônias estrangeiras, uma terra de imigrantes que vieram de muitas regiões diferentes, como espanhóis, italianos, japoneses e alemães. Cada qual com o seus respectivos idiomas nativos e que aos poucos aderiam ao português como língua comum, contudo no período da II Grande Guerra, o nosso presidente Getúlio Vargas, pressionado pelas forças aliadas proibe o uso de línguas oriundas dos países do chamado Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e se inicia uma perseguição aos imigrantes que falassem taís idiomas. Conheci pessoas dessa época, pessoas que guardam marcas dessa violação de seus direitos. Alguns se rebelaram e para manterem vivo a sua cultura e a sua língua se refugiavam em fazendas ocultas e pouco contato tinham com pessoas do mundo exterior. Preferiram se isolar à ter que perder a sua identidade.

A crise da Criméia

Essa terra que já foi marcada por guerras no passado é palco de uma  disputa pela Rússia e pelos Estados Unidos. A Rússia diz manter tropas lá devido a grande parte da população local ser falante do idioma russo e que esses desejam fazer parte do seu país. Os ocidentais como Estados Unidos e União Européia dizem que o governo local é ilegítimo e que não podem se separar do resto da Ucrânia. O detalhe interessante dessa nótícia é que os moradores da Criméia não são exatamante descendentes de russos ou que possuam naturalização nesse país, mas são falantes nativos, ou seja, o russo é a língua natal deles e devido ao interesse estratégico o governo russo até facilita para quem mora na Criméia, tirar documentos naquele país.

Os exemplos estão em todo o mundo: o governo inglês proibiu por muito tempo o Gaélo, língua nativa da Irlanda e da Escócia, em uma tentativa de coibir as intenções separatistas dessas regiões, contudo esses movimentos estão em marcha e na Escócia estão marcando um plebiscito para escolherem se poderão se separar da antiga Grã-Bretanha, apesar das sanções prometidas, como a proibição do uso da moeda inglesa no novo país.

Um outro local do mundo, onde isso ocorre em mais situações é a Espanha, o território independente da Catalunha conseguiu mais sucesso em sua corrida separatista, usando dinheiro do que o seu vizinho, País Basco (Euskadi) com as bombas do movimento de separação E.T.A. (Euskadi Ta Askatasuna). Apesar das ações do governo da Espanha, como a declaração do ministro da Educação Wert que disse “precisamos espanholar a Catalunha”, em uma citação direta de que um dos pontos chaves do movimento separatista é o uso de sua língua natal e que isso faz parte da identidade desse povo.

A antropologia descreve a língua como o meio para transferência da cultura entre os membros de uma mesma etnia ou nação, isso foi mais formalizado com o surgimento da língua oficial:

“É a língua que é tomada como única num Estado (País). Ou seja, é a língua que todos habitantes do País precisam saber, que todos precisam usar em todas as ações oficiais, ou seja nas suas relações com as instituições do Estado. A língua oficial é também a língua nacional. Ou seja, não é possível que uma língua seja a língua oficial de um País sem ser também sua língua nacional. Isto mostra a relação forte estabelecida historicamente entre o conceito de Estado e o de Nação.”

Apesar de algumas idéias separatistas que se vinculam pela Internet, no Brasil, a língua oficial continua a ser o Português.

Foi um erro no passado, o modelo de Catecismo utilizado pela Igreja Católica com os indígenas brasileiros. Eles eram proibidos de usar a sua língua, seus nomes, sua cultura e tinham que se tornar “pessoas civilizadas”. O atual modelo de catecismo usado pelas ordens católicas, como os Jesuitas no oriente são mais integradoras, os orientais não necessitam alterar seu nome, sua língua ou seus costumes para se tornarem cristãos. Claro que, estamos totalmente cientes da necessidade da evangelização e apoiamos todas a iniciativas para que a Santa Sé continue em sua empreitada.

Não existe como se separar a língua da identidade cultural de um indivíduo, quando isso se faz é de uma enorme violência tentar privar a pessoa daquilo que a faz ser o que é. Quando lutaremos pela nossa língua, de igual modo que os outros povos o fazem? Apenas quando estiverem nos proibindo de a utilizar?

“A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.”  Aristóteles

Traduções, quais as regras???

Este é um assunto sempre OUVIDO, mas nunca “discutido”.

Quem é cinéfilo e apegado a detalhes como eu, que tenho um leve Transtorno Obssessivo Compulsivo, já percebeu algumas nuances, como a tradução de nomes e de frases de efeito como expressões e ditados populares. O rei da Inglaterra, Henrique VIII já foi chamado pelo nome original em Inglês, como o do primeiro presidente dos E.U.A. que de  “Jorge” Washington (tradução), foi utilizado o original  “George” Washington. Qual a regra para isso?

Isto parece um assunto sem a menor relevância, mas se estudado pela geopeolítica vemos que se trata da supremacia de um idioma sobre os outro. Como no caso de CSI Miami, onde o chefe de Investigações se chama Horatio, pronuncia-se “Ooráichio”, mas que no capítulo de estreia se apresentou a pequena menina como Horácio e disse que seu nome era feio. Feio porque? Foi pronunciado em “Português” e não em “inglês”? Nos capítulos seguintes voltou a pronuncia do original. Ninguém se incomoda ao ouvir em um filme “todo” dublado, palavras que não se traduzem, como os nomes?

Fato muito visto hoje em dia, são as mães que recebem da mídia essas maravilhosas informações e acabam batizando seus “pimpolhos” de Maicol, Jequisom, Woshinton ou de outras neologias retiradas de outro idioma qualquer, que possui regras de pronuncia totalmente distintas do nosso Português.

Como se quer criar uma identidade nacional se nem o idioma é usado de foma unânime. Valorizar as palavras, é valorizar as idéias. Não adianta ter grandes ambições se não podemos nos comunicar. A soberania de nosso idioma é condição “sine qua non” para um país independente. (Olha  a palavrinha estrangeira aí).

Quando tratarmos os “gringos” da mesma forma que nos tratam no exterior, com firme convicção, sem violência ou revanchismo, que eles devem aqui, falar e pronunciar de forma correta a nossa língua, tal como lá. Aí sim, estaremos dando o primeiro passo para o “orgulho nacional”.

Gostaria de receber mais adendos a este assunto e outros nomes maravilhosos para podermos discutir.

  • Calendário

    outubro 2019
    S T Q Q S S D
    « ago    
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031  
  • Ich bin