A mulher que mais beijou no mundo

Como salvar vidas depois de morta

Em 1880, em Paris, a beira do Rio Sena foi encontrada o corpo de uma jovem, possivelmente afogada. Como não sabiam sua identidade, permaneceu algum tempo exposta no necrotério, situado na ilha de La Cité. Ninguém, infelizmente  a reconheceu e a jovem ficou conhecida como a “desconhecida do Sena”.

Conta-se que estava com uma face tranquila e um leve sorriso no rosto, o legista não encontrou nenhuma marca ou ferimento e concluiu que fosse suicídio. Devido ao rosto encantador da jovem e a forma como esta se apresentava, um funcionário do necrotério fez uma mascara mortuária dela. Boatos dizem ser de uma moça que morreu de tuberculose em 1875. O certo é que a mascara se tornou uma lenda e ficou famosa por toda a Europa.

A máscara da mulher

O belo sorriso tem inspirado diversos artistas ao longo do tempo, como Hélène em Retrato do Passado em 2002, Rainer Maria Rilke, em 1902 e outros, como Louis Aragon, Vladimir Nabokov e Jules Supervielle.

A máscara se tornou um ícone nos início do século XX, mas o destino queria que continuasse além. Na década de 1950, o norueguês Asmund Laerdal, fundador de uma empresa de bonecas de plástico, idealizou uma boneca para que alunos de cursos para Salva-vidas, em tamanho adulto, para que pudessem treinar técnicas de massagem cardíaca e respiração boca a boca.

Sensibilizado pela história dessa mulher que morreu jovem, Laerdal resolveu criar uma cópia para a máscara e criou assim Resusci Anne, como ficou agora conhecida. A boneca foi lançada em 1960, e apesar de manter os traços originais, a boneca foi modernizada.

O mais irônico nessa história é que milhares de pessoas são salvas pelo mundo a fora, por equipes de salvamento que treinaram com o rosto de uma mulher morta. Não conseguiram explicar o motivo de seu suicídio, se foi ou não por motivo romântico. Mas o certo é que ela se tornou a mulher mais beijada do mundo.

Fonte: Le Monde (Pierre Barthélémy)

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