Poema: Apinhados

Apinhados

Apinhados como livros numa estante disforme

Se um cai, todos caem

Apinhados

Um apinhado de emoções

Como em um dicionário

Alegria, Amor, Melancolia, náusea … ódio

Apinhados

Um amontoado de roupas … nem uma boutique, nem um brechó

Calças, camisas, blusas … formando manequins grotescos

Apinhados

Um grupo de corações, solitários que batem como um

Se pudesse ouvir, ficaria surdo

Apinhados

Nervos, músculos, ossos e cérebros

Num açougue, nem tanta carne teria

Apinhados

De coisas pequenas, que se amontoam como areia na praia

Fones de ouvido, celulares, moedas, brincos e tatuagens

Apinhados

Como soldadinhos de chumbo

Sempre em fila, marchando para a saída, como uma salvação

Apinhados

Um coletivo de gente

Que num veiculo de aço, carrega sonhos

Como uma nuvem, que descarrega

De ponto em ponto, um pouco de esperança…

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