Um diabo não tão diferente!


Em “Little Nick um diabo diferente, Adam Sandler como diabo é tal qual uma confissão de culpa de toda a sua raça. Nesse filme ele é o filho caçula do diabo, menosprezado por não ter as habilidades maldosas de seus irmãos mais velhos. Os irmãos querem dominar o mundo terrestre e fogem do inferno por um portal, só que esse portal é apenas a entrada e se você usar o caminho contrário ele fecha e as almas dos pecadores não podem entrar. Sendo assim, o Senhor das hordas inferiores não pode sobreviver e na medida que o portal fica fechado, seus poderes diminuem até ele se desintegrar.

Olha só quantas contrariedades juntas apenas no início da história, um diabo relapso que não é tão malvado como deveria, mas é malvado mesmo que pouco e que curte algumas paradas um tanto “ingênuas” como ouvir discos invertidos para ouvir mensagens satânicas.

O que dizem os livros tradicionais sobre o diabo? No Inferno de Danti Alighieri, o demônio é retratado como um ser com 3 cabeças, cada qual devorando um grande traidor da história: Judas, Cassio e Brutus. Ou seja, segundo o autor os maiores traidores são os melhores colocados. Em primeiro lugar, Lúcifer, o anjo que traiu Deus e que sua punição seria comandar os círculos infernais.

Mas o que houve com Lúcifer, o portador da luz, foi reduzido a um mero “torturador de pecadores”, aquele que castiga a almas daqueles que ofenderam a Deus durante a sua existência terrestre? Isso foi só uma forma de relativizar seus crimes e banalizar o mal dando a todos uma falsa impressão de seu papel na história, de um grande ator central, se tornou um coadjuvante.

E o povo judeu, como Nosso Senhor os classifica? Segundo São João, eles são incrédulos e surdos:

São João 8,44 [44] “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”

Temos de um lado o demônio que foi diminuído em seu papel de causador de todo o mal e do outro, um judeu que faz o papel de seu filho que finge “brincar de malvado”. Segundo Sigmund Freud (judeu), “podemos conhecer melhor uma pessoa por uma brincadeira do que por um ano de conversa”. Para que nos sintamos mais culpados, quando comparamos nossas imperfeições com as do maior pecador da história, ele que queria dominar o universo e se tornou um pobre bastardo que se sente desprezado pelo próprio pai.

No filme de Sandler, o demônio parece estar bem em seu papel de “carrasco” das almas desgarradas e nem pensa mais em dominar o mundo, seus compromissos diários são torturar Hitler e administrar seus lacaios de gostos um tanto “duvidosos”. Como todo filme de Hollywood, seu objetivo é semear a dúvida, minar a nossa fé na religião. Os irmãos de Nick não podem pisar em solo sagrado mas usam papel alumínio nos pés para entrarem em igrejas e manipularem religiosos.

Aquelas incoerências de sempre em filmes fantásticos, as almas não podem entrar no inferno, mas ele pode voltar a cada vez que é morto na Terra, nessas idas e vindas, conhece uma garota por quem se apaixona e tenta conquistar aos poucos e a surpresa fica por conta da sua mãe que é um anjo.

Quando os demônios lutam entre si, isso não transforma nenhum deles em alguém bom por mais “ético” que possa parecer seu objetivo. Lembrem-se da guerra declarada entre o Presidente russo Putin com a mídia pela “liberdade de expressão”. Será mesmo? No prazo de menos de uma semana, jornais ingleses anunciavam que a vacina russa seria uma cópia da AZ (espionagem industrial) e acabaram desmentindo tão rápido quanto divulgaram. Qual o poder por trás dessa mudança de editorial?

Um pregador cedo de rua é apresentado com todas características de um estereotipo mal feito que corre do mal, tropeça em tudo e em todos e acaba caindo dentro da entrada de uma estação de metrô ou com a cara em um poste. Outro escarnio contra as religiões.

Com uma certa maquiagem de inocência, toda depravação e tipos de vícios são apresentados de forma aceitável e a velha lei de corromper os dirigentes em primeiro lugar e fazer com que o povo os siga parece funcionar bastante bem. Qualquer semelhança com a nossa situação atual é mera coincidência.

O orçamento do filme foi de 85 milhões de dólares e arrecadou com as bilheterias apenas 58,3 milhões de dólares. Por que será? O povo se cansou do cliché da cabeça que roda em filmes de terror?

Deixe um comentário

Nenhum comentário ainda.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s