Você é religioso???


Uma pergunta capciosa…O Papa e Nossa Senhora

Na minha juventude  e até algum tempo atrás, minha resposta a essa pergunta seria indubitavelmente um “NÃO”, pois afinal sempre acreditei que o termo “religioso” se tratava de pessoas que são fanáticas, como os “carólas” e os “fariseus” da Bíblia. Atitudes estas, sempre censuradas em minha família. Contudo nunca havia percebido o quanto “religiosos” nós somos.

Hoje, ao relembrar o passado e ao passar a limpo a minha vida, em um lapso  de nostalgia pude constatar que a religião nos foi inserida como que em um processo de “osmose”, gradativamente e de forma tão natural que nem percebemos, seria algo como o “ar que respiramos”, ninguém fica se recordando de que precisa respirar para viver, apenas respira. O mesmo ocorreu comigo, quando pequeno, meu pai ia ao nosso quarto antes de dormimos para “tirar a prova” se sabiamos as orações, me lembro do “Pai nosso”, da “Ave Maria” e do “Credo”, nos sábados e domingos, impreterivelmente estavamos na Missa e eu costuma trocar, como sempre, as horas, num dia era as sete e no outro as seis, mas eu nunca lembrava qual era qual.

Tinhamos regras, meu pai dizia que só podiamos usar uma “roupa nova”, se a estreassemos na Missa primeiro e após a Missa ganhavamos a pipoca do famoso pipoqueiro que ficava na porta da Igreja. Nos parecia um tipo de prêmio por nossa boa conduta. Ficar em silêncio, numa postura correta e prestar atenção nas palavras do Padre, quem cochilasse levaria imediatamente um cutucão de minha mãe, era de rotina. Seguir atentamente a folha do dia e da mesma forma escutar a homilia e não ficar comentando sobre as roupas das pessoas. Coisa essa que nossa mãe fazia, mas que para nós não era permitido.

Tinhamos vários outros hábitos, como quando visitavamos uma nova cidade, isso pegamos da família de minha mãe, visitavamos sempre a Igreja Matriz e o cemitério, pela família de meu pai, apenas a Igreja era suficiente. Quando visitavamos a minha avó, mãe de meu pai, ela as vezes estava no quarto rezando o Terço e como eu era criança, não ficaria tão chato ser eu que a chamasse. Entrava no quarto em silêncio e ficava de pê ao lado dela, que estava sempre de joelhos em seu “genoflexiório” diante de um pequeno altar, com vários Santos, em especial a Cruz e Nossa Senhora de Lourdes, da qual ela era devota. Sem interromper as orações ela me olhava de canto, fazia um gesto de consentimento com a cabeça enquanto eu aguardava ela terminar, com as mãos unidas e a cabeça baixa. Fazia o sinal da Cruz e saíamos juntos. Isso sempre me pareceu natural, mas percebo que os jovens hoje em dia desconhecem essas práticas.

Não preciso nem mencionar que eram encarados da mesma forma, outros eventos, como o Catecismo, a preparação da Crisma e os cursos que existiam na Casa Paroquial. Os eventos públicos como as Procissões, as quermesses e as datas especiais tinham tanto valor social que até mesmo quem não era católico comparecia. A visita da Bandeira do Divino era sempre um acontecimento de importância e me recordo deste desde a minha infância com a minha mãe passando a Bandeira por toda a casa e pedindo para nós beijassemos a ponta dela.

Dar aos jovens uma formação religiosa me parece hoje, a melhor forma de os livrar das armadilhas das “falsas” religiões e dos “embusteiros” de plantão. Sempre segui uma regra, “quando encontrar meu Deus, eu saberei, pois tanto ele fará parte de mim, como eu farei parte dele” e isto me pareceu estar sempre presente nas palavras do Papa Bento XVI que pedia a nos que tenhamos fé com razão:

“A razão acolhe uma verdade por força de sua evidência intrínseca, mediata ou imediata; a fé, contudo, aceita uma verdade com base na autoridade da Palavra de Deus que se revela”, explicou.

Além disso, o Santo Padre ressaltou que tal distinção não equivale à separação, mas implica uma mútua e benéfica cooperação.

“A fé, de fato, protege a razão de toda a tentação de desconfiança nas próprias capacidades, a incentiva a se abrir a horizontes sempre mais amplos, mantém viva a busca dos fundamentos e, quando a razão mesma é aplicada na esfera sobrenatural do relacionamento entre Deus e o homem, enriquece o seu trabalho. […] Por outro lado, não é somente a fé que ajuda a razão. Também a razão, com os seus meios, pode fazer algo de importante pela fé”. Bento XVI – Catequese sobre  São Thomas Aquino. 16/06/2010

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