História, um capítulo da Geopolítica


Como evolui a visão da História

Muitas pessoas imaginam que a história seja fixa, que aquilo que ocorreu não muda, pois os fatos são sempre os mesmos. Pode até ser, mas a nossa visão deles se modifica, segundo aspectos que podem ser sócio-políticos ou a educação ou a linguagem ou os registros históricos. Esses fatores mostram um sistema dinâmico que tende a tornar a história um resultado do ambiente em que vivemos, que seria tanto pelo meio social, econômico, político e educacional, como veremos agora.

Aspectos sócio-políticos

Temos como premissas invariáveis que certos personagens históricos sejam “bons” e outros “maus”, como também sobre os episódios da história, de acordo com a nossa posição social e econômica. Claro que, a mídia, apesar de muitos não admitirem, tem forte influência sobre isso. Como se diz, o “terrorista” para uns, é o “libertador” para outros. Temos exemplos tanto históricos, como atuais. A Alemanha Nazista, considerada inimiga da humanidade, foi e ainda é considerada uma “força de libertação”, por poloneses e russos em diversas comunidades que sofriam com governos autoritários como o de Stalin.

Aspectos na educação e na linguagem

Um acontecimento histórico pode mudar de acordo com o modo em que ensinado, por exemplo, na década de quarenta e cinquenta, nas Escolas brasileiras, devido ao “americanismo” ensinavam de forma mais enfâtica sobre o descobrimento da América, sobre Cristóvão Colombo e  as sua três caravelas. Na década de setenta, após o golpe militar e seu nacionalismo “obrigatório”, mudaram a ênfase e voltaram na para a descoberta do Brasil, em Pedro Alvarés Cabral e na carta de Pero Vaz de Caminha. Hoje, esses acontecimentos se tornaram infimos, o trabalho de Ongs em divulgar a situação precária dos índios diminuiram a importância histórica do descobrimento e mudaram o foco para os aspectos negativos dessa colonização.

Registros históricos

Outro fator que ajuda na modificação da visão dos fatos históricos são os novos registros encontrados, cada novo escrito, pintura, foto ou testemunho serve como um novo ponto de vista. Fatos tidos como indubitáveis podem ser desmentidos pelo simples novo parecer, como também na ausência de evidências registradas, a ciência pode entrar em ação através de novos métodos, como o exame de DNA. Fato este que teve recentemente com uma urna encontrada, na qual havia um lenço que se supõe ter sido do Rei Luiz XVI, decapitado durante a Revolução Francesa. A amostra de DNA de um parente reconhecido pode auxiliar em elucidar esse mistério.

O maior exemplo disso são os fatos dos século XX, como foi o século em que se revolucionou os meios de comunicação e registros de fatos, como a fotografia, que se desenvolveu no século anterior, a criação do rádio, o cinema, a televisão, como também, a criação do computador e a internet. Tudo isso fez com que os acontecimentos tomassem uma nova dimensão, muito mais real e próxima dos espectadores. Por isso, foi se dramatizado tanto as guerras, as catastrofes e os crimes desse período, a primeira e a segunda Guerras Mundiais, tem esse nome mas nem todos países do mundo participaram dela. O naufrágio do Titanic, apesar de ter tido sobreviventes é considerado pior do que naufrágios anteriores, nos quais não houve sobreviventes. No Brasil, um exemplo bem interessante, a Guerra de Canudos que é lembrada por causa do escritor Euclides da Cunha que a acompanhou e imortalizou em seu livro, “Os Sertões“. A pergunta é, não houve guerras piores ou apenas não foram bem registradas???

A desassociação de idéias

Ao estudarmos os fatos segundo os pontos de vista das matérias de forma acadêmica, como engenharia, administração, economia ou qualquer outra, acabamos inevitavelmente desassociando os diversos resultados possíveis. Ao darmos uma finalidade ao nosso trabalho, esta respeita e será julgada segundo o objetivo da matéria.

Não temos culpa de outros resultados, o capitalismo como sistema de orientação é o que possibilita isso, um exemplo disso seria a produção de veículos. Quando a indústria automotiva anuncia uma produção recorde de veículos, coisas boas e ruins acontecem.

Os positivos:

Os empregados dessas indústrias, nos grupos que bateram sua meta, receberão maiores comissões.

As revendas de automóveis terão mais veículos para suprir o mercado e realizar mais vendas.

Mais veículos, indicam mais documentos emitidos e os despachantes ganham mais com isso.

Os negativos:

Mais veículos nas ruas, aumentam os engarrafamentos e pioram a circulação das pessoas.

A maior percentagem de uso das vias públicas, aumenta os desgastes das mesmas e aumenta os custos de manutenção.

O maior número de veículos, apesar das medidas preventivas em cada um, inevitavelmente aumentam a poluição, o nível de ruído das cidades e o calor, causador do efeito estufa.

Existem outros, mas jamais os encontraremos em um relatório do engenheiro que produziu o carro. Somos induzidos a correr atrás de nossos objetivos. O capitalismo incentiva  a competição, o bem comum é secundário, como viver em uma sociadade dessa forma. Uma sociedade caótica que não possibilita um objetivo comum a todas as pessoas, que é perniciosa e arrogante, que pode se destruir examente por possibilitar as pessoas de usufruir de suas beneces.

O sistema que melhor se encaixa nessa situação e resolveria esse tipo de problema seria o keynesianismo, por dar as ferramentas de controle ao sistema sem perder a propriedade, o capital e todos os fatores que tornam possível o equilíbrio do sistema econômico.

Conclusão

A Geopolítica é implacável, o método da desassociação mostra como as pessoas agem e não conseguem obter uma macro visão dos acontecimentos. Os exemplos atuais mostram que mesmo estando tão próximos aos fatos, as informações que chegam são parciais e não é necessário nenhuma “teoria da conspiração” para explicar isso. A informação tende a ser posicianada de acordo com os meios em que é propagada. Nossa premissas e nossos pontos de vista fazem o resto, no final temos uma visão parcial de todo o problema.

A Internet com seu imenso fluxo de material acaba tendo o resultado inverso do esperado, as notícias acabam ficando esprimidas e os internautas se acostumam com isso. O raciocínio se torna preguiçoso, os conceitos mastigados e pré-julgados são fáceis, como também se torna fácil se “vender o peixe” de ideologias baratas e conceitos deturpados.

Por isso, a Geopolítica não está em pauta ultimamente, ela prova que os fatos tidos como certos e naturais tem causas infraestruturais muito maiores. O porque de algumas leis existirem e outras não, a produção de alimentos tem prioridade nesse ou naquele produto. Quais assuntos tem destaque na mídia e quais desaparecem em uma cortina de fumaça. Depende de cada um de nós, desconfiar daquilo que nos é servido e procurar sempre, outra alternativa.

Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto. 
 Millôr Fernandes    

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