Para bem entender a Missa Tridentina


O Motu Proprio do Papa e seus problemasO Papa e Nossa Senhora

Após publicar o Motu Proprio Summorum Pontificum de 2007, se criou diversas situações que o Santo Padre quiz prever em sua carta mas que insistem em fugir ao controle. Houve quem recebesse com extremo entusiamo, outros, mais ou menos e aqueles que ficaram indiferentes. Gostaria aqui de fazer uma breve explanação a respeito.

O texto se refere a Missa Tridentina ou chamado Rito Extraordinário, apesar das várias denominações, se referem a missa celebrada segundo a liturgia do Missal de 1962, ou seja, antes do Concilio Vaticano II e de acordo com a forma “antiga”, celebrada em latim e com uma ritualistica própria. Necessita de Calendário Litúrgico e o Lecionário. Ou seja, não é a chamada missa “moderna”, celebrada em latim e que o Papa doravante denominou como Rito Ordinário.

Calendário Litúrgico

O Calendário litúrgico da Igreja Católica Apostólica Romana foi feito para cobrir todo o ano litúrgico cristão, abordando várias passagens bíblicas consoante o período em causa, considerando as duas principais celebrações cristãs: o Natal e a Páscoa. Divide-se em três anos: A, B e C.

Foi concebido para a Igreja celebrar o Mistério de Cristo (particularmente o seu Mistério pascal) como Corpo de Cristo as principais etapas da vida de Jesus e refletir sobre sua missão e mensagem.

Lecionário

Genericamente, um lecionário é uma lista de textos das escrituras bíblicas (chamadas lectio – leitura) recomendadas para o uso na adoração ou no estudo em um dia em particular. Os lecionários cristãos são usualmente construídos em torno do ano litúrgico, mas algumas vezes são centrados no ano secular ( como no caso dos planos de leitura da Bíblia em um ano). Os lecionários cristãos geralmente incluem a leitura de um texto da bíblia hebraica, um Salmo, uma leitura das epístolas e uma leitura do evangelho.

Rito Moderno

O chamado Rito Moderno ou Ordinário seria aquele promulgado pelo Concílio Vaticano II que teria como principal característica, ser celebrado no vernáculo local, ou seja, na língua de cada país em que é celebrada. Como também, fez outras importantes mudanças, como o sacerdote que a celebra de frente para o pública e de costas para o altar, com maior interação dos fieis e uma ritualística mais flexível, com tantas músicas e alterações.

Este Rito é o encontrado em toda parte e aceito pela maioria dos fieis, as interações populares produziram repercussões em diversos setores, como nas mídias e criaram nomes como o do Padre Marcelo, Fábio de Melo, Zezinho e outros, como também, sendo percursor de movimentos, como a Canção Nova e os Carismáticos.

O Rito Extraordinário, por ser considerado pré-conciliar, ou seja anterior as mudanças, foi visto como uma forma de estabelecer as pazes com a Fraternidade Pio X, movimento criado após o Concílio pelo Arcebispo Dom Marcel Lefebvre, que não aceitava as alterações criadas pelos bispos e membros deste Concílio.

O intuito de Sua Santidade ao dar novos parâmetros ao Rito Extraordinário foi o de permitir que os fieis que desejassem manter essa forma, pudessem o fazer com um horário ou periodicidade que fosse compatível com a necessidade local. Claro que, sem se perder o Rito Ordinário, como o mais usual.

Em sua Carta aos Bispos, o Papa complementa as informações do Motu Proprio e estabelece que os mesmos devem ser os responsáveis pelas definições e por autorizar as missas em latim. Não está expresso que tenham que autorizar, mas se sub-entende.

Abaixo, a definição do papel dos Bispos perante a Igreja e aos fieis, descrito na CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA
LUMEN GENTIUM SOBRE A IGREJA:

 Os Bispos, sucessores dos Apóstolos

20. A missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos durará até ao fim dos tempos (cfr. Mt. 28,20), uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja. Pelo que os Apóstolos trataram de estabelecer sucessores, nesta sociedade hierarquicamente constituída.

Assim, não só tiveram vários auxiliares no ministério (40) mas, para que a missão que lhes fora entregue se continuasse após a sua morte, confiaram a seus imediatos colaboradores, como em testamento, o encargo de completarem e confirmarem a obra começada por eles (41), recomendando-lhes que velassem por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo os restabelecera para apascentarem a Igreja de Deus (cfr. Act. 20, 28). Estabeleceram assim homens com esta finalidade e ordenaram também que após a sua morte fosse o seu ministério assumido por outros homens experimentados (42). Entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta (43) são transmissores do múnus apostólico (44). E assim, como testemunha santo Ireneu, a tradição apostólica é manifestada em todo o mundo (45) e guardada (46) por aqueles que pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores.

Portanto, os Bispos receberam, com os seus colaboradores os presbíteros e diáconos, o encargo da comunidade (47), presidindo em lugar de Deus ao rebanho (48) de que são pastores como mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado, ministros do governo (49). E assim como permanece o múnus confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro entre os Apóstolos, e que se devia transmitir aos seus sucessores, do mesmo modo permanece o múnus dos Apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido perpetuamente pela sagrada Ordem dos Bispos (50). Ensina, por isso, o sagrado Concílio que, por instituição divina, os Bispos sucedem aos Apóstolos (51), como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo (cfr. Luc. 10,16) (52).”

Em resumo, os Bispos devem ter a palavra para definir a organização das Missas, principalmente se houver uma mudança dessa monta, como o Rito. Claro que, devemos nos lembrar que apesar de aparentemente diferentes, a liturgia expressada é a mesma, o objetivo dessas celebrações são a comunhão com o Cristo vivo e não apenas uma pantomina.

Muitos tem criticado tanto o Santo Padre, como os Bispos pela demora e pela burocracia em se autorizar as Missas no Rito Extraordinário, mas se esquecem das consequências de uma mudança radical em todo “modus operanti” da Igreja. Sua Santidade não quer que o Rito Extraordinário fique banalizado, uma cerimônia apenas de forma, sem o conteúdo espiritual necessário, como também, não quer que se torne obrigatório para não criar mais cismas.

Existem três possíveis consequências as mudanças, muitos fieis não aprovariam a Missa em Latim, por terem conhecido e abraçado a Missa em seu próprio vernáculo e aprovarem certos modos, como o cantar e a maior participação. Alguns fieis irão aprovar, mas apenas para assistir de vez em quando, pelo fato de não entenderem o Latim, mas aprovam por acharem mais bonita e solene tal tipo de Missa, entretanto, não para todos os dias. Outras pessoas, como eu, gostariam muito desse tipo por não sermos versados em música moderna e por estarmos no pequeno grupo que conhecem um pouco mais de Latim. Não digo “falar Latim”, pois isso apenas se o fosse para falar sozinho.

 Quanto a Fraternidade Sacerdotal Pio X

Esta Fraternidade não apenas pede a mudança do Rito da Missa, mas de várias questões como o Catecismo, mas devemos nos lembrar que antes de levantar a bandeira dos Tradicionalistas, qual a situação atual desta Fraternidade. O Santo Padre em sua magnitude e bondade livrou da excomunhão os quatros bispos nomeados pelo Arcebispo Lefebvre sem a devida autorização papal, mas não mudou a situação da entidade, conforme o dito em sua carta aos Bispos para explicar os seus motivos para tal decisão:

O facto de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canónica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.”

Recentemente fui chamado de “modernista” por um simpatizante desta fraternidade. Se ser fiel ao Papa, sucessor direto do Apóstolo Pedro em uma linha de quase 2.000 anos e ser fiel ao mandamentos da Santa Igreja Católica que são muito mais do que apenas ler a Bíblia e alguns textos de um certo Papa. Creio ser um “modernista” muito, mas muito antigo em minha visão.

Conclusão

Minha opinião é que a Missa Tridentina deve ser autorizada em locais em que se possa manter toda a tradição e pompa que tal cerimonial exige. Tanto o o sacerdote, como seus auxiliares devem estar bem preparados, como também a postura e algum conhecimento dos fieis deve ser exigido. Uma pessoa totalmente leiga pode se sentir perdida em uma Missa realizada desse modo. Me parece ser justo a boa fé dos próprios fieis, como também dos catequistas que estejam prontos em auxiliar a outros a conhecerem melhor a Missa Tridentina. Com certeza, divulgar algum material impresso pela própria Igreja seria muito bom, apesar de hoje em dia, pela própria Internet, termos acesso a vários textos a respeito, como também a toda Missa em Latim, com a sua respectiva tradução.

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