Pelo meu direito de ser estrangeiro


Na moda das reivindicações

Como todo grupo de minorias que pede pelos seus direitos, reivindico os meus, afinal não tem grupo menor do que o de um só. Pelos princípios da liberdade humana de pensamento e expressão quero me expor e como toda ideia que vaga pela Internet, quero ter o direito de ser copiado indiscriminadamente e lesado sem medida:

Reivindico o direito de não falar Português, afinal, essa língua só é usada por preguiça mesmo, ninguém a defende de qualquer maneira e se rendem a qualquer tipo de palavra ou expressão estrangeira que soe um pouco mais inteligente.

Reivindico o direito de não ouvir samba e não assistir futebol, qualquer motivo que eu expor aqui será tão meloso e sentimental quanto os motivos daqueles que “curtem” essas coisas.

Reivindico o direito de não gostar de qualquer um por qualquer razão que seja, afinal está incluso nesse, o sub-direito de não me explicar.

Reivindico o direito de mudar de lado sobre qualquer assunto, afinal, na maioria das vezes, os dois lados estarão errados e quem perde é o “consumidor”.

Reivindico o direito de torcer pelo meu time de futebol, mesmo que nem saiba quais são seus jogadores ou técnico ou quando jogue.

Reivindico o direito de não ouvir besteiras e nem de ter de aturar “ignorantes”, mesmo que não gostem, pois está implícito aqui o sub-direito de ser surdo-mudo.

Reivindico o direito de ficar com raiva, beiço caído e demonstrar qualquer tipo de sinal de insatisfação com a minha vida e com tudo o que me cerca. Isso tudo e o sub-direito de chutar o meu cachorro.

Reivindico o direito de não ouvir e nem aceitar o proselitismo de qualquer um que seja. Aqui cabe o sub-direito de mandar quem for para “aquele lugar”.

proselitismo (do latim eclesiástico prosélytus, que por sua vez provém do grego προσήλυτος) é o intento, zelo, diligência, empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, ideia ou religião (proselitismo religioso).

Reivindico o direito de amar quem quer que for, mesmo que não me ame, incluindo aqui, todos os meus familiares e amigos (quem não é um, é outro).

Reivindico o direito de não ler artigos, notícia ou obras tendenciosas, da moda ou simplesmente carentes de qualquer noção de bom senso, lógica ou justiça.

Reivindico o direito de não saber tudo, porém saber aquilo que preciso saber. Isso é mais que suficiente para afirmar que não é preciso curso de engenharia para montar um quebra-cabeças e nem de medicina para usar um “band-aid”.

Reivindico o direito de não comer aquilo que não gosto de comer, incluindo aqui, carne seca e outros. Com o sub-direito de comer na hora que quiser comer, mesmo que coincida com a hora de que estou com fome.

Reivindico o direito de perder a noção do ridículo e falar e fazer qualquer coisa estranha, como pegar o ônibus errado  ou por sal no café, entre outros.

Reivindico o direito de não pensar pela cabeça dos outros e nem de falar nada que seja “politicamente correto”, pois quem se restringe no direito de pensar, falar ou agir por medo de incomodar, é porque se anulou como ser humano e perdeu qualquer tipo de amor próprio.

Que assim se faça e pela autoridade imbuída a mim por mim mesmo, diga que sanciono e dou deferimento.

Albert_Camus

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