Meu mundo caiu

Porque mudou tanto em tão pouco tempoBatman-and-Robin

Parodiando Maysa e sua música, ‘Meu mundo caiu’, um sucesso nos anos 60, podemos ter alguma noção do quanto mudou no mundo em algumas décadas. As noções das coisas mudaram e hoje existem pessoas que querem crucificar obras feitas sob uma óptica totalmente diferente da atual, como o caso do livro de Monteiro Lobato, que agora é considerado racista.

Algumas mudanças que não se explicam:

– Por que os Trapalhões e o Monteiro Lobato não eram racistas?

– Por que o Village People não era gay?

-Por que o Batman e Robin não era um casal?

-Por que não existia o “politicamente correto”?

-Por que duas mulheres de mãos dadas na rua, eram amigas, irmãs ou mãe e filha e não outra coisa?

-Por que fumar dava status e beber era elegante?

-Por que a bomba de Hiroshima era chamada de a “Bomba da Paz”?

-Por que os três patetas eram quatro?

-Por que se temiam os comunistas e eles eram perseguidos nas ruas e não se escondiam dentro do governo?

-Por que toda criança acreditava em Papai-Noel, Coelho da Páscoa e na Seleção Brasileira?

-Por que ouvir Rock,  era ser rebelde e Tatuagem e piercing eram coisas de pirata?

-Por que domingo era dia de folga e também, o dia de assistir o Airton Senna?

-Por que piadas e anedotas não vinham com tarja de preconceito, intolerância ou qualquer “ismo”?

-Por que a censura era coisa do governo e minoria era um grupo que cabia num fusca?

-Por que o mundo era em preto e branco (não apenas a TV) e tudo se dividia entre Estados Unidos e União Soviética?

-Por que a alta costura dava para entender, mas não para comprar e hoje, você nem entende e nem compra?

-Por que os nomes continuam, mas a imagem muda? Madonna era Nossa Senhora em italiano.

-Por que ler era sinônimo de cultura e assistir TV emburrecia? Hoje a internet têm os dois, mas o efeito é o do segundo.

-Por que os erros de ontem continuam a serem repetidos hoje?

Pelo meu direito de ser estrangeiro

Na moda das reivindicações

Como todo grupo de minorias que pede pelos seus direitos, reivindico os meus, afinal não tem grupo menor do que o de um só. Pelos princípios da liberdade humana de pensamento e expressão quero me expor e como toda ideia que vaga pela Internet, quero ter o direito de ser copiado indiscriminadamente e lesado sem medida:

Reivindico o direito de não falar Português, afinal, essa língua só é usada por preguiça mesmo, ninguém a defende de qualquer maneira e se rendem a qualquer tipo de palavra ou expressão estrangeira que soe um pouco mais inteligente.

Reivindico o direito de não ouvir samba e não assistir futebol, qualquer motivo que eu expor aqui será tão meloso e sentimental quanto os motivos daqueles que “curtem” essas coisas.

Reivindico o direito de não gostar de qualquer um por qualquer razão que seja, afinal está incluso nesse, o sub-direito de não me explicar.

Reivindico o direito de mudar de lado sobre qualquer assunto, afinal, na maioria das vezes, os dois lados estarão errados e quem perde é o “consumidor”.

Reivindico o direito de torcer pelo meu time de futebol, mesmo que nem saiba quais são seus jogadores ou técnico ou quando jogue.

Reivindico o direito de não ouvir besteiras e nem de ter de aturar “ignorantes”, mesmo que não gostem, pois está implícito aqui o sub-direito de ser surdo-mudo.

Reivindico o direito de ficar com raiva, beiço caído e demonstrar qualquer tipo de sinal de insatisfação com a minha vida e com tudo o que me cerca. Isso tudo e o sub-direito de chutar o meu cachorro.

Reivindico o direito de não ouvir e nem aceitar o proselitismo de qualquer um que seja. Aqui cabe o sub-direito de mandar quem for para “aquele lugar”.

proselitismo (do latim eclesiástico prosélytus, que por sua vez provém do grego προσήλυτος) é o intento, zelo, diligência, empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, ideia ou religião (proselitismo religioso).

Reivindico o direito de amar quem quer que for, mesmo que não me ame, incluindo aqui, todos os meus familiares e amigos (quem não é um, é outro).

Reivindico o direito de não ler artigos, notícia ou obras tendenciosas, da moda ou simplesmente carentes de qualquer noção de bom senso, lógica ou justiça.

Reivindico o direito de não saber tudo, porém saber aquilo que preciso saber. Isso é mais que suficiente para afirmar que não é preciso curso de engenharia para montar um quebra-cabeças e nem de medicina para usar um “band-aid”.

Reivindico o direito de não comer aquilo que não gosto de comer, incluindo aqui, carne seca e outros. Com o sub-direito de comer na hora que quiser comer, mesmo que coincida com a hora de que estou com fome.

Reivindico o direito de perder a noção do ridículo e falar e fazer qualquer coisa estranha, como pegar o ônibus errado  ou por sal no café, entre outros.

Reivindico o direito de não pensar pela cabeça dos outros e nem de falar nada que seja “politicamente correto”, pois quem se restringe no direito de pensar, falar ou agir por medo de incomodar, é porque se anulou como ser humano e perdeu qualquer tipo de amor próprio.

Que assim se faça e pela autoridade imbuída a mim por mim mesmo, diga que sanciono e dou deferimento.

Albert_Camus