No cume

No CumeJosé Ramalho

No alto daquele Cume
Plantei uma roseira
O vento no Cume bate
A rosa no Cume cheira

Quando vem a chuva fina
Salpicos no Cume caem
Formigas no Cume entram
Abelhas do Cume saem

Quando cai a Chuva grossa
A água do Cume desce
O barro do Cume escorre
o mato no Cume cresce

Então quando cessa a chuva
No Cume volta a alegria
Pois torna a brilhar de novo
O sol que no Cume ardia

Carta aos filhos

Que herança para o 12 de outubro

O que você gostaria de falar aos seus filhos no seu último sopro de vida, naquele último instante, quando o palco se esvazia e as luzes se apagam. Qual a imagem que você escolheria que eles guardassem de você. Como foi a convivência entre vocês, quantos momentos compartilhados e com que qualidade eles foram aproveitados.

Podemos explicar muito de poucas coisas, a simples presença de alguém pode falar muito, mesmo que ele não pronuncie nada. Pequenos gestos tem muito valor, quando mais nada vale a pena. O ser humano pode lutar tanto, enriquecer tanto que mesmo assim, não poderá comprar a paz de espírito como uma mercadoria.

Como disse Rudyard Kipling em seu Poema “Se“:

“[…] dar segundo a segundo, ao minuto fatal, todo valor e brilho […]”

O maior valor para o homem, no seu final, pode ser aquilo de que ele mais se queixou em sua vida, as relações com as outras pessoas, aquele embate diário, aquele conflito de vontades e interesses. Pais, amigos, familiares e os filhos, todos a sua volta, pedindo algo, reclamando e te sacudindo como um boneco de piñata, prestes a estourar em um monte de presentes e mimos.

Como você lidou com isso pode representar tudo agora, quantas vezes desligou o telefone e foi trocar a fralda de algum chorão, apesar de fazer hora extra e estar morto de cansado, você ficou algum tempo, sentado na cama, ao lado de alguém que estava com febre e esperou pacientemente ela dormir.

Pequenos rituais, como comprar um pastel de feira ou um chocolate na padaria, acompanhado desses seus adoráveis pestinhas que aguardavam ansiosos a sua presença de forma quase religiosa ou um compromisso intransferível. Por essas e outras, por algum tempo, você se tornou uma pessoa especial. Pelo menos, para essas pequenas pessoas que você cativou com tanto cuidado e carinho.

Apesar de a noite, você se lamentar escondido, em algum canto escuro, de não poder ter dado muito mais para eles, ou dos sonhos que não realizou, ou dos bens que não adquiriu ou dos negócios que não deram certo. Houve sempre a presença de alguém que retribuiu com um pequeno e sincero sorriso, o simples fato de você ter chegado em casa vivo.

Depois de tudo isso, nem mais uma palavra significaria tanto para você do que a presença deles, ali, naquele instante. Pois tudo o que foi feito, foi de valor, pelo menos para alguém que significou muito para você, desde aquele momento em que, de alguma forma mágica, uma nova vida apareceu no mundo e na sua vida!

Matando o tédio

Novas formas de matar o tédio

Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas Sociais de Oxford, o uso de Smartphones para matar o tédio pode ser nocivo a longo prazo:

“A sobrecarga de informação restringe severamente o tempo disponível para a reflexão pessoal, pensamento, ou simplesmente digressão mental, os pesquisadores Inglês. Continuamente com um telefone celular em e uma infinidade de distrações para o olho, é compreensível Alguns acham que é difícil se cansar sendo tão introspectivo.

Ou seja, o tempo livre, a ociosidade que servia para introspecção, a geração de ideias e um balanço de nossa existência está cada vez mais sendo substituído pela tela brilhante de novos aparelhos telefônicos. Não é raro estarmos em uma fila, em uma plataforma de trem ou metrô, ou mesmo no ônibus, com pessoas absorvidas em ouvir músicas, enviar e receber e-mails, navegar na internet ou ficar em algum jogo.

As possibilidades de uso desses Smartphones parecem ser mais crescentes a cada dia, fotografar, filmar e enviar e receber dados não era algo sonhado anos atrás, mas hoje é uma realidade. O que aparece ser mais incrível é que cada atividade dessa reúne tantas possibilidades e denota em tanto tempo de uso que as pessoas ficam absorvidas nesse novo universo.

O que os especialistas alertam é para a perda daquela meditação produtiva, aquele combater mental ao tédio que agrega possibilidades, gera novas ideias e faz o ser humano um produto em evolução constante. Somos hoje, melhores do que fomos ontem e menos do que seremos amanhã.

O uso dessas pequenas caixinhas brilhantes de botões e imagens coloridas pode ser extremamente prazeroso e compensam as carências da vida moderna, como afetividade, segurança e bem estar. Mas até que ponto estamos nos deixando levar, até que ponto elas comandam a nossa vida?

Fonte: Le Monde