Conto: Aprender doí


Aprender andar de bicicleta doí

Eu não esqueci, tenho a cicatriz para me lembrar!!!

Nem sempre os fatos ocorrem conforme uma lógica pré definida. As vezes as surpresas são muito maiores do que aquilo que esperamos. Todo cuidado é pouco, já diziam os nossos avós.

Bom, quando eu era garoto e tinha entre 08 e 09 anos de idade, não havia aprendido a andar de bicicleta ainda, portanto tinha de esperar que alguém de minha família aposentasse alguma “magrela” para que eu pudesse realizar meu sonho.

Fato esse que veio pelas mãos de minha tia-madrinha que nos enviou a bicicleta que era de minha prima que tinha apenas dois anos a mais que eu. Uma Caloi verde, modelo básico mas bem conservada que tinha como característica, os manetes do freio, que eram pontudos e salientes para fora, como um par de chifres.

Assim que cheguei da escola, ela já estava em casa me esperando, tinha ao menos uma rodinha para que eu pudesse fazer alguns treinos antes de pegar o equilíbrio necessário. Fiquei incessantemente pedalando em círculos para que pudesse pegar a confiança necessária. O que ocorreu na manhã seguinte, minha mãe e meus irmãos foram me acompanhar e a rodinha fora retirada para que pudesse ter uma gloriosa viagem.

Montei no meu possante e com minha mãe agindo como se fosse a catapulta de um porta aviões, me deu a direção e o equilíbrio inicial necessário, mas agora o espaço era outro, estava na rua de terra em frente de casa. Um leve declive que seria suficiente para que eu pegasse velocidade.

Últimas instruções, não esquecer de pedalar e no final da jornada, fazer o mesmo com os freios e pousar os pés no chão para que não tenha tombo algum. Pronto, dito e feito, minha mãe me impulsionando e eu iniciava meu voo de estreia de forma triunfante, minha mãe  me solta e começo a minha jornada de no máximo dez metros com todos os méritos possíveis. Pedalei e não esqueci de acionar o freio, tudo conforme o combinado. Pousei os pés no chão e dei um grito de vitória. Saí da bicicleta, dei a volta e retornei para receber a ovação da torcida.

Tudo bem! Eram só os três e a minha mãe, mas eles torciam por mim. Quando faltava poucos metros para a chegada ergui meus braços em agradecimento e TUUUUUM, fui parar no chão. A bicicleta havia caído sobre mim. Só me lembro de minha mãe me socorrendo, foi muito estranho.

Alguns devem se perguntar, como ele se lembra disso, faz tanto tempo. Sim é verdade, mas quando ela caiu sobre mim, um daqueles manetes do freio me perfurou o joelho e eu fiquei com a cicatriz para não esquecer do ocorrido.

Moral da história: mesmo depois do seu grandioso feito, deve se ter cuidado até em como receber os aplausos da torcida!

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