Metrô: Modernidade X Desumanização


A menina dos olhos do governo em termos de transporte e cabo eleitoral de muito político é sem dúvida o metrô, redução de “Companhia do Metropolitano de São Paulo” é sem dúvida um exemplo de modernidade e progresso para o nosso Estado. Sim, nosso Estado, pois apesar de apenas existir na capital, a companhia é gerenciada pela Secretaria de Transporte Metropolitanos do governo estadual. Com uma expansão atual na casa de dois Km por ano, o metrô precisa atingir o número de oito quilômetros por ano, para poder atingir a meta estipulada de 32 quilômetros entre 2012 e 2015. O governo pretende dar novo fôlego a companhia com a entrada de empresas privadas e novos investimentos no setor.

Este é o lado que nos é mostrado pela televisão, investimentos, obras e gráficos de demanda por usuários, mas e o outro lado dessa moeda, como o usuário está sendo tratado nessas novas linhas e como ele vê o metrô hoje?

“Estações de concreto e ferro armado, predominância do cinza, trens de alumínio espaços amplos”, esta é a visão que temos ao usar esse meio de transporte. Um lugar para um grande fluxo de pessoas… eu disse “pessoas”. Isso mesmo, o transporte é feito para seres humanos, mas não parece que foi aparelhado para isso.

As pessoas tem diversas necessidades que não estão sendo lembradas nos projetos, como banheiros, bebedouros e bancos. Parece que quem fez o planejamento somente se atem ao objetivo geral de transportar pessoas e esquece de criar um ambiente que lhe seja adequado. O número de banheiros é insuficiente para o fluxo de pessoas, assim como o de bebedouros, se é que você já viu um no metrô.

Um ponto especial é o dos bancos, quase não existem nas estações, o que seria para evitar “mendigos” e “pedintes”,  ou como forma de se higienizar o meio de transporte? E se não bastasse, nos novos trens, os números de bancos está sendo reduzido, alguns usuários temem que no futuro somente existirá bancos para idosos, gestantes e deficientes físicos, ou seja, os assentos preferenciais. O que parece ser uma injustiça ao contrario, pois a lei federal que rege os assentos preferenciais, 10.741/2003, em seu artigo 39, parágrafo II, diz ser assegurado 10% dos assentos como reservados a idosos, gestantes, portadores de deficiência e mulheres com crianças de colo. Se o número total de assentos diminui, o número de assentos especiais deveria diminuir também.

O mais se nota no Metrô é o exagerado número de regras, se torna irônico ler cartazes com o dizer, sua bicicleta é bem vinda, pois tem tanta regra para usar a bicicleta que é mais fácil ir a pé. Outras regras são sobre pedintes e vendedores ambulantes, totalmente proibidos. Nós não somos a favor do que é ilícito, mas deveria haver contrapontos a essas normas. A pessoa não pode exercer a venda na forma de ambulante, mas poderiam existir os alugueis de quiosques para pessoas que precisam trabalhar. Digo isso devido a quiosques de grandes marcas, multinacionais, que não deram certo no Metrô por causa dos valores praticados, o Metrô é um transporte preferencialmente popular e as pessoas procuram preços populares.

A questão que mais irrita o usuário é a tarifa, o preço é alto e quando se faz uso de ônibus-metrô, o usuário perde a principal vantagem da integração que é a tarifa zero. Muitos dizem que a principal vantagem do metrô é você entrar nele e poder correr toda a malha metroviária com apenas uma tarifa, mas convenhamos, nem todo mundo mora próximo a uma estação de metrô e para quem não mora, a integração é inevitável. Nesse caso, outro ponto é o tempo de trinta minutos, que é o espaço para poder usar seu bilhete no metrô, se você usa, sai da estação e retorna, deve esperar trinta minutos. Dependendo da situação, pode ser um tempo longo.

As pessoas querem e precisam do Metrô, mas não podemos permitir que seja gerenciado de forma a apenas agradar políticos e ter uma bela estrutura. Ele não é transporte de cargas, o ser humano precisa ser respeitado.

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